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16Jul

Cimenteira aposta no aumento da produção

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Localizada no limite da divisão administrativa entre os municípios da Catumbela e de Benguela, a cimenteira Cimenfort, projecto privado, resiste à crise financeira que abala o país e, qual um camaleão, transfigura-se e reergue-se, apostando no aumento da sua produção, que se espera atinja um milhão e 400 mil toneladas ano, contra as actuais 400 mil.

Se, em 2012, ano em que foi inaugurada e marcou a concretização de um sonho do seu mentor, o brasileiro Paul Hang, a fábrica dispunha de uma capacidade de produção instalada de 700 mil toneladas anuais, hoje pode produzir um milhão e 400 mil, embora condicionalismos económicos ditem um resultado ainda aquém desse volume.

Com 750 hectares, fundamentalmente de área calcária, e 218 trabalhadores, a Cimenfort foi concebida para ser implementada em três fases: a primeira para produzir 700 mil toneladas, inaugurada a 22 de Agosto de 2012; a segunda, destinada a aumentar a capacidade de produção para o dobro; a terceira (última) para a montagem da moagem do clínquer, cujos equipamentos são importados da Alemanha e da China.

Nas instalações da fábrica, é visível algum equipamento que vai ajudar a “revolucionar” a produção, com a previsão de a tornar plena até 2022, altura em que deverão estar instalados novos fornos, britadores, redutores, refrigeradores, ventiladores e transportadores.

A preocupação com o meio ambiente também é uma marca desta unidade fabril que possui um sistema de filtros, para evitar a emissão de poeira no ar, sistema selectivo de recolha de lixo no seu interior, além de proporcionar um local de trabalho seguro e saudável aos trabalhadores e visitantes, em que o verde dá o ar da sua graça.

Se, num passado recente, o preço do cimento havia “disparado” e a disponibilização em Benguela era irregular, chegando mesmo a ser “importado” da capital do país (Luanda), actualmente, a produção desta unidade, associada a outra que funciona no município do Lobito, trouxe estabilidade nos preços, além da auto-suficiência na disponibilização do produto no mercado.

De “importadora”, Benguela dá-se, hoje, ao luxo de fornecer cimento das marcas “Bué” e “Kanawa”, em sacos de 50 quilos, produzidas na Cimenfort, às províncias do interior (800 toneladas por semana), com destaque para Huambo, Bié e Moxico, através dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB).

Neste domínio, a Cimenfort encontra-se numa situação privilegiada, pois possui um ramal de ligação à linha dos CFB, que passa, justamente, a menos de 10 metros das suas instalações.

Construção da terceira fase

A principal prioridade da fábrica é, de momento, a construção e a instalação da sua terceira fase, que, a par de subir a produção para um milhão e 400 mil toneladas de cimento por ano, após a conclusão, em 2022, vai permitir também a produção de clínquer, segundo o gerente industrial da Cimenfort, Evilmar Naves.

De acordo com o responsável, para se atingir esse objectivo, foram encomendados novos fornos e outros equipamentos no mercado europeu, alguns dos quais já se encontram na fábrica, num investimento que ronda os 155 milhões de dólares norte-americanos.

É visível, no interior da fábrica, além do armazenamento de equipamentos novos, algum trabalho de preparação da zona em que a unidade fabril vai expandir-se, dando surgimento a novas infra-estruturas produtivas, laboratório, silos e demais compartimentos.

O gerente confirma que a unidade fabril vai recrutar, inicialmente, mais 50 novos técnicos das especialidades de electrónica, mecânica de equipamentos pesados, móveis, industriais, instrumentistas e engenheiros químicos.

A propósito, considera haver carência de quadros técnicos angolanos em mineração e electricidade industrial, o que acarreta elevados custos à empresa, com a contratação de mão-de-obra estrangeira para preencher certas áreas. Neste momento, a fábrica conta com 22 expatriados, mas o objectivo é a sua substituição gradual por nacionais.

Evilmar Naves solicita ao Governo maior aposta na educação, com a construção de mais institutos de formação técnico-profissional, para que as empresas nacionais venham a absorver essa mão-de-obra.

Ainda neste âmbito, considera que o Estádio Nacional de Ombaka, localizado nos arredores da cidade de Benguela, possui excelentes instalações que podiam servir para albergar uma escola de formação técnico-profissional.

Entre as principais dificuldades que a Cimenfort enfrenta, aponta alguns problemas no fornecimento de energia eléctrica e a falta de água da rede pública, o que, para o responsável, encarece os custos de produção, assim como o mau estado da via rodoviária de acesso à fábrica.

Conforme o gerente, que falava à Angop, há dois anos foi divulgada a falsa informação da inauguração de um forno de produção de clínquer, principal matéria-prima utilizada no fabrico de cimento.

“Naquela altura, houve uma confusão, ao invés de se referirem ao moinho de cimento alemão inaugurado, falou-se erradamente de forno para a produção de clínquer”, esclarece.

A Cimenfort ainda não produz clínquer, importa, a cada dois meses e meio, cerca de 60 mil toneladas desse produto.

De olhos na exportação

Com o actual investimento do sector privado nacional na área cimenteira, o país tem uma capacidade instalada de oito milhões de toneladas contra uma necessidade de consumo anual de seis milhões de toneladas, o que faz com que seja possível exportar para os países vizinhos.

Sem perder de vista este pormenor e a gozar de uma estrutura de distribuição diferenciada, visto que tem fácil acesso aos mais importantes meios de transporte do país, nomeadamente a linha dos CFB, que liga a fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo) ao Porto do Lobito, a Cimenfort vê a exportação como uma excelente oportunidade de negócios.

“A fábrica marca posição nesse domínio, com a exportação de cerca de 37 mil toneladas de cimento, mensalmente, para São Tomé e Príncipe”, revela Evilmar Naves.

Os mercados da RDCongo, da Zâmbia e de outros países africanos também entram nas contas da fábrica para o longo-prazo, tão logo o seu projecto de expansão esteja concluído, porque o seu produto tem qualidade e é competitivo.


Jovens “espreitam” primeiro emprego

Oriundos do Instituto Médio Politécnico de Benguela, quarenta jovens efectuam, actualmente, um estágio profissional na Cimenfort.

A entrega dos formandos justifica-se não só pela possibilidade de aumento de conhecimentos e de se aliar a teoria à prática, mas também porque existe a possibilidade de os mais destacados conseguirem o seu primeiro emprego nesta unidade fabril.

Evilmar Naves revela que os estudantes estão a ter acompanhamento rigoroso e aqueles que melhor se saírem poderão ser contratados, no âmbito do processo de substituição da mão-de-obra expatriada pela nacional e do programa de reforço  de pessoal, quando entrar em funcionamento a terceira fase de produção.

“Pretendemos ficar com os melhores, mas, com a conclusão da terceira fase, em 2022, precisaremos de mais funcionários”, faz saber.

Everte Laurindo, de 19 anos, é finalista do Instituto Médio Politécnico de Benguela, na especialidade de Electrónica Industrial de Automação, e está a cumprir um estágio curricular na fábrica.

O estagiário diz que a Cimenfort está a permitir aliar conhecimentos práticos aos teóricos, que trazem da escola, adquiridos durante os quatro anos de formação profissional e académica.

“É uma mais-valia estar aqui e, enquanto jovem, estou a dar o meu melhor para aprender mais e, quiçá, conseguir o meu primeiro emprego”, sublinha, com o semblante carregado de esperança.

Já Hilda Kuvalena, 18 anos, da mesma especialidade, declara estar encantada com a dimensão da unidade fabril e complexidade do seu processo de produção.

Considera que ser contratada pela Cimenfort seria a realização de um sonho, uma vez que conseguir o primeiro emprego está cada vez mais difícil.

A Cimenfort, localizada na província de Benguela, é, actualmente, uma das maiores fábricas de cimento do país. A sua localização é estratégica e privilegiada, pois permite atender às maiores regiões consumidoras de Angola de forma competitiva.

Foi concebida seguindo os mais modernos padrões internacionais, visando garantir o maior rendimento dos equipamentos e, ao mesmo tempo, a maior preocupação com o controlo da poluição e consumo energético.

O cimento é produzido a partir do calcário e é utilizado em construções de diversos portes. Para viabilizar a sua produção, na Cimenfort, as minas de calcário e o parque industrial estão lado a lado.

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