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21 / Aug 2014
VEM AÍ O FENACULT

O Festival Nacional da Cultura (Fenacult) terá, este ano, a sua segunda edição, naquele que constitui um dos grandes desafios do Ministério angolano da Cultura dando corpo à ideia de passar a organizar de modo regular este evento, a cada quatro anos com base num diplomado aprovado em 2012 decretando a sua institucionalização.

Todos os funcionários do Ministério da Cultura estão engajados nos preparativos deste evento, que ocorre 25 anos após a realização da sua primeira edição. O ano de 2014 é considerado muito especial devido ao regresso do Fenacult, 25 anos depois, tendo em conta que serve como mecanismo de exaltação, valorização e reafirmação da identidade cultural angolana, oferecendo aos criadores, em especial aos jovens, espaços de participação e troca de experiências. 

O principal objectivo do II Festival Nacional da Cultura é promover a coesão e unidade nacional dentro da diversidade cultural angolana, além de ser um espaço de diálogo e intercâmbio entre as diversas realidades regionais e expressões culturais.

O Fenacult é um momento de exaltação da cultura angolana, de vibração e emoção, em que as mais variadas manifestações culturais, como a música, a literatura diversa incluindo a infantil e a oral, a dança, a pintura, o teatro, a poesia, prosa, contos tradicionais, fábulas, teatro, artesanato e artes plásticas, serão rebuscados e reavivados a nível nacional, mobilizando todo o país para o debate construtivo que se pretende em torno de temas culturais.

Criadores, intelectuais, fazedores de arte e demais interessados na riqueza cultural e espiritual da nação angolana estarão certamente interessados em participar nesse evento de modo a contribuir para o engrandecimento da riqueza cultural do povo angolano e a sua maior internacionalização.

Um ilustre comentarista escrevia que “â pala do Fenacult, por exemplo, pode-se (deve-se, imperativamente) dar rumo melhor à criação musical, onde se percebe que o ofício da composição com decência e competência meteu férias e permitiu o estabelecimento de um deserto que nos representa mal, com toda a invasão de más letras e canções ainda piores em ritmos que, mesmo que popularizados com a força de um contágio medieval, são em bom rigor expoentes de uma sub-cultura ruinosa”.

Dia ainda que “se a música é um caso concreto a concitar o debate num tempo em que se quer fazer mais pela cultura, a inexistência em Luanda– outro exemplo – de uma casa concebida e desenhada com o propósito original de servir a excelência da vida cultural de Angola, onde se possa ouvir em ambiente de elevação a orquestra sinfónica nacional (que teremos de ter um dia, se queremos marcar pontos na agenda cultural do mundo), apreciar ópera, dança clássica, ver reunidas as mais prestigiantes exposições de obras literárias e da plástica, pode configurar, já agora, outro dos grandes desafios” da liderança da Ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva.

À propósito, a Ministra Rosa Cruz e Silva considerou que “movimentar o país para a realização do Fenacult/2014 de modo mais abrangente possível, implica que partiremos, naturalmente, das mobilizações das comunas e municípios, valorizando e destacando toda a riqueza e potencial, para que se traga para o centro todo o seu engenho e criação na sua verdadeira essência”.

A ministra realça ser necessário tirar do anonimato muitas das manifestações culturais que ocorrem em diversas regiões e às vezes classificadas como actividades folclóricas, como a dança do Chinganje, que continua a ser exibida nalguns municípios da província de Benguela.

De acordo com a governante, independentemente de como sejam classificadas, as manifestações culturais do país podem e devem ser valorizadas, daí que o festival seja um momento de exaltação, que pode ainda incluir a recolha de contos e instrumentos tradicionais com que se podem fazer orquestras, a par dos jogos da wela que se podem transformar em torneios.

O Ministério da Cultura propõe-se saber como vai tocar a alma de cada angolano para exaltar a cultura, unir, forjar este espírito de unidade, de reconciliação e de paz que as autoridades querem que perdure cada vez mais.

Os programas de acção que esse departamento ministerial está a implementar têm por base as prioridades definidas pelo Executivo no período 2012/2017, cujo objectivo deve ter em consideração a participação e concertação com o sector empresarial e a sociedade civil.

O Mincult pretende em 2014 que sejam conjugados esforços para que reabram as escolas de artes, permitindo que os jovens possam receber a desejada formação para o efeito.

Em 2013, as actividades de maior destaque do Ministério da Cultura foram a realização do Jardim do Livro Infantil, a Feira do Livro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), do Seminário Internacional sobre a Rainha Njinga a Mbande, bem como a participação na Feira do Livro de Havana (Cuba).