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19mai

Huíla quer ser referência mundial na produção de carne

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A província da Huíla,  através da CCGSA tem nas mãos a oportunidade de tornar a região numa referência mundial de produção de carne. O governo dá indicações de que o valor deve ser disponibilizado em breve e vai potenciar entre 80 a 90 fazendas, assim como camponeses.

A produção de mais de 90 fazendas filiadas à cooperativa e criadores tradicionais circunvizinhos fixa-se agora na ordem das 200 toneladas de carne acabada por trimestre, devidamente pronta a consumir, o que equivale a mil bois abatidos por mês.

Em entrevista à Angop, para falar da produção de carne, o secretário-geral da CCGSA, Luís Gata, disse que ainda assim essa cifra corresponde a 10% das necessidades do mercado. “Não é que seja pouco, pois esse número representa muito trabalho, estamos a falar de mil bois, mas ainda temos muito que crescer”, disse.

Frisou que a província tem pecuária e todas as possibilidades para tornar-se numa referência mundial, pelo que é um sector que de uma vez por todas e com os “novos ventos do governo”, deve ser apoiado e está-se com “muita” expectativa no que diz respeito ao desenvolvimento da capacidade de produção.

Sublinhou que há promessas do governo de que esse valor vai ser disponibilizado e que com a ajuda da cooperativa será bem encaminhado.

“Não se entenda que nós estamos de mãos estendidas à espera de milhões de dólares, isso já não vai acontecer, o que queremos que o país quando mobilizar linhas de financiamento exterior, deve garantir empréstimos exequíveis com juros bonificados e com prazo de reembolso adequados a produção pecuária”, fez saber o pecuarista.

Para ele, a disponibilização de cem milhões de dólares, a razão de 500 mil dólares por fazenda, permitiria a compra de 500 matrizes reprodutoras,e dar-se-ia uma “excelente” resposta e provocar uma poupança, em menos de cinco anos, ao Estado na ordem dos 500 milhões de dólares em importações.

“É um projecto que forçosamente tem de ser apoiado pelo Executivo. Que seriam aplicados na melhoria das infra-estruturas de apoio nas fazendas, chamar camponeses da produção normal para a industrial, porque há muitos deles que já têm dimensão para produzirem de forma industrial”, disse a fonte.

Na sua óptica o financiamento serviria também para melhorar os sistemas de captação e distribuição de água, preparação de terrenos para expandir os espaços agricultáveis, através de uma desmatação controlada, para instalação de pivôs e o cultivo da forragem intensiva, uma actividade que deve respeitar as árvores e 50% de arbustos selvagens, onde está o chamado banco de proteínas animal.

Realçou que o objectivo passa também por aumentar a capacidade de alimentação e abeberamento do gado, massificar o projecto de melhoramento genético, aproveitando as potencialidades genéticas do gado autóctone que adapta-se facilmente às condições de doenças e características do terreno, assim como buscar nos animais importados o genes para aumentar o porte das manadas.

“Temos duas raças seleccionadas e o objectivo é ir introduzindo touros nas manadas camponesas, no sentido de se obter um equilíbrio interessante entre a genética autóctone e de aumento muscular rápido”, adiantou.

Investimentos vão operar melhorias em matadouros

Luís Gata disse que estudos feitos pela Cooperativa reserva também a vertente da comercialização da carne, que passa pela criação de novos matadouros e melhoramento dos existentes, olhando para a melhoria higeo-sanitária e forma de abate.

Para ele, os matadouros actuais “deviam ser chamados “casas de massacre” e transmissão de doenças aos consumidores. Uma situação que o executivo está devidamente alertado e pensa que brevemente ter-se-a notícias no que diz respeito a melhoramento dos matadouros existentes e a criação de um novo que irá responsabilizar-se pela maior parte dos abates. É uma promessa antiga, mas foram no último ano dados passados muito importantes para sua concretização, ainda este ano.

Qualidade da carne é das melhores, mas o ineficaz controlo sanitária ameaça saúde dos consumidores   

A qualidade da carne tem, segundo o entrevistado, duas vertentes, a organoléctica, que tem a ver com o sabor e a apresentação, que duma maneira geral é boa, quer seja o produto de um matadouro com inspecção, quer seja de animais abatidos sob árvore.

“A carne poderá não ser tenra, mas é muito saborosa, porque os animais têm um crescimento equilibrado e com uma alimentação natural. Ainda estamos muito longe do controlo sanitário que se exige e só vou falar de duas doenças que estão por aí e que podem atingir os consumidores através do leite principalmente, como a brucelose e a tuberculose”, alertou.

A primeira provoca a chamada febre-de-malta, muito parecida com o paludismo e numa região em que se toma muito leite azedo, é preocupante, porque é um produto não pasteurizado.

Avançou que os abates controlados pela Cooperativa passam por esses testes, porque os animais são vistos em vida e depois inspeccionados na carcaça, para além de periodicamente serem enviadas as análises a laboratórios e até hoje dos mais cem mil animais em posse de seus filiados não se detectou essas doenças.

Alerta que é uma certeza que elas existem no país, pelo que é fundamental apostar na vertente de laboratórios e controlo dos matadouros existentes com uma inspecção funcional.

Produção de forragem é prioridade para estabelecer produção láctea

Para a fonte, os criadores querem apoios, mas não de graça. Apontam soluções para reactivar a indústria de leite e seus derivados, mas querem evitar os erros que se cometeram na década de 1990 a 2000 quando se importaram as primeiras matrizes leiteiras, sem ter-se em conta a garantia de alimentação para o gado nas zonas de confinamento, por isso fracassou.

Luís Gata fez saber que alguns criadores já estão a tomar providências no que diz respeito a produção de forragem para os animais, sobretudo para os períodos críticos, épocas em que a seca agrava-se no sul, mais precisamente nos meses de Outubro e Novembro.

Defende que o tipo de animal que se espera importar precisa de forragens para se alimentar, já que o gado leiteiro não pode somente pastar, deve ter comida na área de confinamento,.

Lembrou que , as importações que se fizerem terão o aval da cooperativa e serão destinadas a criadores que darão resultados imediatos.   

Para ele, a criação de centrais de leite no país são uma medida “precoce”, pois primeiro deve-se criar as condições de alimentação para os animais, caso contrário vão repetir-se os erros do passado.

“Vamos importar reprodutoras, algumas já com o certificado de gestação, a partir da África do Sul, Brasil, Botswana, excelentes animais a bom preço, divisas mais importantes do que a carne que chega aqui”, disse.

Disse que a Cooperativa está atenta as linhas de financiamento que possam permitir que seus associados dêem um passo em frente no que diz respeito a aquisição e maquinaria para que as fazendas estejam mais produtivas em termos de alimentação.

“Infelizmente não surgiu nenhum pacote financeiro até agora que se adeqúe à produção pecuária, isto porque nesse capítulo existe um tempo muito acima de uma produção industrial, porque a nossa actividade se baseia num ciclo de produção de animais, com um prazo mínimo de cinco anos, desde a aquisição de uma fêmea bovina até conseguir vender uma cria”, disse.

Fez saber que na produção de feno estão envolvidos apenas os fazendeiros com maior dimensão das propriedades, pois exige espaço e maquinaria cara e isso não está ao alcance de todos. O que se produz hoje responde somente para 20% das necessidades actuais.

Os filiados da cooperativa têm em posse mais cem mil cabeças de gado bovino, número que representa 10% do que podem ser no futuro.

O efectivo ganadeiro da Huíla é estimado em mais de dois milhões de cabeças, o clima, as vastas áreas para o pasto, assim como a experiência dos fazendeiros são os principais factores para a produção em grande escala do leite e seus derivados.

O Vale do Chimbolelo e a Tunda dos Gambos, onde operam grandes fazendeiros filiados na Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola, possuem animais de grande porte e de raça, podendo suportar o programa de produção de leite assim como a criação de matadouro para comercialização da carne bovina.

Num encontro com pecuaristas e empresários da Huíla em 2018, o ministro da agricultura e florestas, Marcos Nhunga, disse que o país importa mais de cem mil toneladas de carne/ano, o que equivale 500 milhões de dólares norte-americanos, 180 milhões de litros de leite/ano, no valor de 150 milhões de dólares e 45 milhões de ovos/mês, com 540 milhões de dólares americanos.

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