A directora do Instituto Nacional do Património Cultural (INPC), Cecília Gourgel, afirmou, nesta quinta-feira, em Luanda, haver necessidade da inventariação das mais de 20 mil plantas medicinais cadastradas.
A responsável, que falava na abertura da Feira e Conferência sobre o “papel do terapeuta tradicional na promoção da saúde”, avançou que os ministérios da Cultura, do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Saúde, Ambiente, Agricultura e Floresta estão a trabalhar com os terapeutas tradicionais para o reconhecimento da medicina natural, com avaliações anuais, o que vai culminar com o reconhecimento do património material.
Cecília Gourgel adiantou que, de acordo com a Convenção da Unesco para a Salvaguarda do Património Material, um dos itens é a auscultação das comunidades, por serem elas as conhecedoras deste legado, tendo em conta a diversidade da fauna e da flora angolana.
“Depois da inventariação das plantas vai-se trabalhar na legislação para a regulamentação e controlo das plantas, raízes e tubérculos, suas propriedades, poder de cura e acima de tudo a exploração controlada para que não se percam, com acções de replantação”, explicou.
Neste processo, acrescentou, deve-se ter em conta que plantas reconhecer, o que é que cada uma realmente trata, quais as puras e as que só existem em Angola, numa acção iniciada em 2012.
Para o presidente da Medicina Tradicional e Natural de Angola (CATEMETA), Kitoco Mayavangua, eventos como essa feira e conferência, que se realizam em alusão ao 31 de Agosto, data comemorativa da medicina tradicional africana proclamado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), visam a apresentação do património cultural angolano, particularmente, a medicina natural, que representa uma parte muito importante das reservas materiais do país.
De acordo com o terapeuta tradicional, pretende-se, com a realização do certame que decorre sob o lema “Integração da medicina tradicional africana nos currículos das ciências da saúde nas universidades da região”, obrigar a catalogação das plantas e a criação de um banco de dados com segurança e qualidade.
Em Angola há cerca de cinco mil terapeutas e três mil parteiras tradicionais controladas.