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23set

Pólo Industrial da Caála busca eficiência

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Há sete anos, o Governo angolano abriu as portas do Pólo Industrial da Caála, para dinamizar o processo de produção interna e substituir as importações.

Implantado numa área de 1.129 hectares, o projecto marcou passos em 84 meses de funcionamento efectivo, mas segundo especialistas continua longe do idealizado.

Ao contrário das previsões iniciais, quem se desloca àquela importante infra-estrutura estatal, volvidos mais de dois mil e 550 dias desde a sua abertura oficial, ainda hoje se apercebe, facilmente, que há muito trabalho por realizar.

As indústrias surgem a meio gás, num espaço “tomado” por capim e pequenos arbustos. Os acessos são improvisados e precários, impondo desafios à circulação automóvel.

À entrada do Pólo Industrial, uma placa de identificação, ao longo da estrada que liga as cidades do Huambo e Caála, em direcção às províncias da Huíla e de Benguela, até pode causar alguma boa impressão aos visitantes.

Mas bastará percorrer alguns metros, para ver o fosso entre a realidade e o idealizado.

Até ao momento, estão em pleno funcionamento apenas três unidades fabris, separadas, cada uma delas, por uma distância não inferior a dois (2) quilómetros.

Em Abril de 2015, quando o pólo foi oficialmente lançado, o Ministério da Indústria já tinha em posse 50 candidaturas, 17 das quais ditas prontas para serem implementadas.

Tratou-se de um arranque fugaz, rodeado de sonhos e expectativas.

Entretanto, a grande expectativa gerada pelos investidores “desmoronou” no final daquele mesmo ano, com o país a ver-se atingido por uma desfavorável conjuntura económica, decorrente da queda do preço do petróleo no mercado internacional.

Quando, em 2012, deu-se início à criação do Pólo de Desenvolvimento Industrial no município da Caála, como estratégia governativa para promover o desenvolvimento e a competitividade no sector, imediatamente muitas expectativas surgiram.

Definido para ser efectivado em duas fases, nos quatro primeiros anos previa criar seis mil postos de trabalho directos e instalar entre 70 a 80 unidades fabris, inicialmente.

Para atrair o investimento, o Ministério da Indústria atribuiu preços bonificados no acesso ao solo, facilitou o enquadramento das unidades ao nível de ordenamento de território, além de ter “moderado” nos critérios de candidatura.

Como consequência dessa estratégia, o “pontapé” de saída da implementação de projectos industriais naquele pólo foi marcado, em Abril de 2015, pela entrega dos primeiros 22 títulos provisórios de posse de superfície de terra.

Até Setembro de 2016, ano que devia terminar a primeira fase, 61 investidores, entre nacionais e estrangeiros, já tinham recebido parcelas de terra, com extensão que variava de 1 a 10 hectares, de acordo com o projecto apresentado por cada um dos investidores.

Naquela altura haviam sido ocupados, no Pólo de Desenvolvimento Industrial, 98 hectares, dos quais 45 correspondiam a igual número de projectos em fase mais adiantada de execução. Entretanto, até aqui, nada mais aconteceu.

Concurso público para infra-estruturação

Um dos aspectos negativos que mais chama a atenção é a falta de infra-estruturação do pólo, situado na zona adjacente à antiga Codume, uma fábrica que nas décadas de 70 e 80 se destacou no fabrico de pregos de aço, parafusos, anilhas e porcas.

Para circular no local, quer a pé, quer de automóvel, as pessoas encontram várias  dificuldades e têm de submeter-se a grandes sacrifícios, enfrentando poeira, buracos, crateras, lombas e, no tempo chuvoso, muitas águas paradas e lamas.

Tal cenário, porém, parece ter os dias contados. Prevê-se, para breve, a realização de um concurso público para o arranque dos trabalhos de infra-estruturação do local.

“A infra-estruturação vai consistir, prioritariamente, na abertura e asfaltagem de arruamentos, montagem da iluminação pública, construção da central de energia eléctrica e de água potável, criação de redes de esgotos e de combate a incêndios”, indica a responsável do pólo industrial, Angelina Cochi.

Lamenta o facto de o concurso realizado em 2018, pelo Ministério da Indústria, ter ficado sem efeito, por falta de empresas interessadas em executar os trabalhos.

No pólo, segundo Angelina Cochi, está prevista a construção de serviços policiais, postos médicos e outros serviços para o asseguramento total dos promotores industriais, uma vez que estes são os incentivos primários para a adesão dos investidores.

O Ministério da Indústria contava com a linha de crédito chinesa para o início da construção das infra-estruturas básicas fundamentais à actividade, mas não se efectivou.

Investidores “piscam o olho”

Apesar das dificuldades relatadas, nem tudo vai mal pelas bandas da Caála.

Mesmo sem as infra-estruturas básicas, os investidores continuam atentos ao Pólo de Desenvolvimento Industrial do município da Caála, estando, por isso, dispostos a enfrentar e superar os constrangimentos para potenciar a região.

Segundo as autoridades locais, espera-se que até ao final deste ano possa entrar em funcionamento uma fábrica de massa alimentar e bolachas. As obras de construção, avaliadas em 860 milhões, 201 mil e 453 kwanzas, decorrem desde Janeiro último.

Também este ano, segundo Angelina Cochi, devem ser retomadas as obras de construção da fábrica de perfis metálicos em aço galvanizado, paralisadas em 2014, desbloqueada que foi a situação financeira que condicionava a execução da empreitada.

Sem revelar o valor global, a gestora explica que o reinício das obras, cinco anos depois, resulta de um financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

A unidade fabril, adianta, poderá produzir estruturas pré-fabricadas para a construção de edifícios em curto espaço de tempo e de maior qualidade, além de garantir a inserção directa de 97 jovens no mercado de emprego.

Apesar de admitir que a falta de financiamentos esteja a retardar a fixação de fábricas, salienta que o pólo continua aberto para receber qualquer investidor com projectos de criação de unidades industriais para o fomento da actividade económica e a sua diversificação, a fim de ajudar a combater a pobreza.

Unidades fabris com falta de divisas

Actualmente, três unidades fabris continuam a desenvolver actividades no Pólo de Desenvolvimento Industrial do Município da Caála, na província do Huambo, num sinal de resistência à crise económica que ainda assola o país.

Trata-se de duas marcenarias do grupo FERPLAS e LSGC, vocacionadas à confecção de poltronas, cadeirões, sofás e carteiras escolares, cuja produção, pela sua qualidade, tem ajudado a reduzir as importações, incluindo em províncias vizinhas.

Além destas duas marcenarias, que empregam 68 nacionais, o Pólo Industrial do Município da Caála já conta com uma fábrica de colchões de espuma, do grupo ROYANGOL, com quase 40 trabalhadores.

Entretanto, por dificuldades de acesso às divisas para importar matéria-prima, a FERPLAS (primeira a instalar-se no local, dois anos antes da criação do pólo) viu-se forçada a encerrar, em finais de 2017, a fábrica de componentes de material eléctrico (caixas de aparelhagens, de interruptores e tomadas).

Pelo mesmo motivo, a ROYANGOL suspendeu, há dois anos, a produção de reservatórios plásticos para água e combustíveis, enquanto a LSGC não consegue inaugurar a linha de produção de ferros de alumínio, utilizados em diversas obras de construção civil, apesar de ter já os equipamentos montados.

As três unidades fabris produzem, actualmente, o necessário para satisfazer os seus clientes, podendo, caso se justifique, duplicar a capacidade de produção.

Os seus mercados principais são as províncias de Benguela, Luanda, Bié, Huíla, Cuanza Sul e Cuando Cubango, além do próprio Huambo.

A FERPLAS está no pólo desde 2010, a ROYANGOL 2012 e a LSGC desde 2016.

Laúca resolve dificuldades de energia

Se, por um lado, há problemas com as divisas, uma boa nova tem que ver com a energia eléctrica no Pólo Industrial da Caála, que já chega ao local desde a conclusão, em Abril deste ano, da instalação de linhas de transporte saías da subestação do município.

Estas infra-estruturas permitem que o Pólo de Desenvolvimento Industrial se beneficie de energia eléctrica produzida na Barragem de Laúca, província de Malange.

Desta forma, as unidades fabris reduzem significativamente as despesas decorrentes do uso de fontes alternativas geradoras de energia, que tinha impacto negativo na produção e no preço dos produtos.

Em recente visita ao local, o secretário de Estado da Energia, António Belsa da Costa, admitiu estarem cridas as condições para os empresários, nacionais e estrangeiros, investirem no Pólo Industrial.

“As empresas podem ir para o pólo industrial fazer os seus investimentos e solicitar a instalação de energia sem muita burocracia”, garantiu àquela época.

Até 1991, o Huambo era o segundo parque industrial do país, depois de Luanda. Na região, cuja capital  era chamada Nova Lisboa, produzia-se quase tudo, desde calçados, cerveja, refrigerantes, motorizadas, mobiliário, vestuário, sabão, leite, óleo, plásticos diversos e demais produtos.

Grande parte dessas infra-estruturas perderam-se com a guerra civil. 

Com a implementação plena do pólo, poder-se-á inverter, substancialmente, a importação de bens, ganhando os cidadãos, os agentes económicos e o Estado.

Pretende-se com este pólo relançar o sector da indústria, fomentar o emprego, diminuir a pobreza e aumentar as capacidades empresariais e tecnológicas do país.

O Pólo Industrial do Município da Caála tem como mais-valia a sua localização próxima da estação do Caminho-de-Ferro de Benguela e de uma estrada nacional, facilitando o transporte das matérias-primas e dos seus produtos.

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Pela presente, o Sector Consular da Embaixada de Angola na República Federal da Alemanha, informa que, doravante, no acto de tratamento de questões de natureza consular, procederemos ao uso do termómetro de medição da temperatura. Importa referir, que a medida em referência, não retira o uso obrigatório da máscara,  desinfectantes (Álcool-Gel), bem como o distanciamento de pelo menos de um (1) metro e meio no contacto com as pessoas .

Augurando por dias melhores, cordialmente nos despedimos.

Berlim, aos 22 de Junho de 2020.-  

Reclamções e consultas do Sector Consular  ligar para +491602019523

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